Crítica: Now Is Good (Agora fico Bem) | Fora de Cena

Crítica: Now Is Good (Agora fico Bem)

3 de Março de 2013

Cinema, Críticas

Now-Is-Good

Sinopse: Tess (Dakota Fanning) tem 17 anos e está a morrer de leucemia. Assumido este facto como inevitável, decide não se deixar levar pela amargura e aproveitar o tempo que lhe resta para tudo o que sempre desejou e não teve oportunidade – ou coragem – para fazer. Apesar do amor e dedicação incondicional dos seus pais (Olivia Williams e Paddy Considine), essa decisão vai chocar com a incapacidade destes em aceitar o facto de que, muito em breve, a perderão para sempre. Porém, com o tempo ambos acabam por entender que têm de aceitar as evidências e ajudá-la naquilo que mais anseia: experienciar a vida em toda a sua beleza e tragicidade. E é então que, no meio das mil coisas que decide pôr em prática, Tess conhece Adam (Jeremy Irvine). Entre eles nasce um amor tão grande que, ameaçado pelo pouco tempo que lhe resta, acaba por tornar a partida da jovem ainda mais trágica e dolorosa…

Crítica: Agora fico Bem, com actuações satisfatórias, pode iludir com a pretensão emocional da sua história, mas o carácter estereotipado e barato de todo o argumento é indisfarçável e lamentável.

Tessa (Dakota Fanning) é uma adolescente de 17 anos que se encontra na fase terminal de leucemia. Cansada e infeliz com as várias viagens ao hospital que pouca qualidade de vida lhe têm acrescentado, decide suspender todos os tratamentos e aproveitar o tempo e os momentos que lhe restam para viver ao máximo e satisfazer todos os seus desejos. A vida de Tessa melhora quando conhece Adam (Jeremy Irvine), tornando a sua escolha – de mais nenhum tratamento – ao mesmo tempo difícil e essencial.

A história de Agora fico Bem, adaptado do livro Before I Die de Jenny Downham, é um testemunho interessante sobre a fase derradeira, terminal, de uma terrível doença. Desperta especialmente a curiosidade por retratar uma doente que decide enfrentar o seu irrevogável destino, aceitando-o com a maior das virtuosidades em vez de intentar penosos e infelizes tratamentos de pouco adiamento. Contudo, o filme nunca abandona a corrente de convencionalismos a que inexplicavelmente se prende, preterindo o efeito agonizante e redentor de uma resoluta doente de leucemia por triviais dramas juvenis fundamentalmente descontextualizados. E embora bem tencionada, a ideia de tornar a narrativa num conjunto de momentos significantes apenas contribui para uma desestruturação ilógica e pouco emocionada.

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De Agora fico Bem é exigido muito mais; muito mais do que o filme mostra coragem. Várias são as temáticas a que a narrativa alude – na família: o desolador inconformismo de um pai, a terrível passividade de uma mãe e a venturosa ingenuidade de um irmão; na vida: os contidos receios de um novo namorado e o desconsolo e a solidão de uma amiga de longa data. Infelizmente, Agora fico Bem fica-se pela mera alusão na maioria das situações, rejeitando sinceras vantagens para se refugiar e refrear nas situações mais digeríveis e mais emocionalmente acessíveis. É, pelo menos, decente a mostrar a visão de Tessa sobre a vida e sobre o medo que a cerca. E sobre a sobriedade da lista de últimos desejos que elabora, mesmo que o filme não chegue a mostrar ou a executar a maioria deles.

As interpretações são o ponto mais forte de Agora fico Bem, particularmente da jovem Dakota Fanning, com um interessante sotaque britânico, que volta a confirmar as suas qualidades depois de alguns projectos recentes menos bem-sucedidos. Jeremy Irvine, depois de Cavalo de Guerra, torna a mostrar uma disponibilidade e maleabilidade emocional agradável. Os britânicos Paddy Considine e Olivia Williams, enquanto pais de Tessa, primam pela capacidade de tornar dois papéis marginalizados em duas actuações importantes para moderar o marasmo da teia dramática juvenil. A realização de Ol Parker – o seu segundo trabalho – é relativamente exotérica, sem contribuir com sinal mais ou menos para o panorama geral.

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Agora fico Bem é, sobretudo, penalizado por uma história mal abordada e emocionalmente simplificada, fazendo lembrar a instantes uma adaptação de um dos muitos romances de Nicholas Sparks. A ideia até pode ter sido a de se relacionar com tal público. Pena que Ol Parker não se tenha dignado a pensar nos restantes espectadores. Talvez não tivesse comprometido Agora fico Bem tanto à partida.

Título Original: Now Is Good
Realização: Ol Parker
Argumento: Jenny Downham
Elenco: Dakota Fanning, Josef Altin, Jeremy Irvine
Género: Drama, Romance
Trailer: Aqui
Avaliação: 5/10

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Sobre André Ramalho (afcramalho)

André Ramalho, Fundador e Administrador do Fora de Cena.

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