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Outros: Polémica myZonCard

Ter, Jan 6, 2009

Outros


A Autoridade da Concorrência ordenou a suspensão durante 90 dias do «Cinemas Zon Lusomundo» programa de benefícios associado ao cartão myZONcard, em várias salas do país, segundo um comunicado esta terça-feira divulgado pela empresa.
No mesmo comunicado, a Zon Tv Cabo considera «esta decisão injustificada e lesiva dos interesses dos consumidores, pelo que dela irá recorrer através dos meios legais adequados».
No entanto, a empresa reconhece que não lhe resta outra alternativa «senão a suspensão da oferta dos bilhetes de cinema e campanha de divulgação associada, até que esta questão possa ser resolvida».
A decisão da Autoridade da Concorrência, de segunda-feira, implica a suspensão do programa durante 90 dias nas salas de Cinema da Lusomundo nos distritos de Lisboa, Porto, Aveiro, Braga, Vila Real, Coimbra, Setúbal e Viseu, especifica a Zon, que garante que, entretanto, irá lançar novos benefícios para os detentores do myZONcard.

A Zon Tv Cabo lançou o cartão myZONcard em Dezembro de 2008, como uma forma de fidelização de clientes. O myZONcard é um cartão personalizado e intransmissível, que permite ao seu portador o acesso às vantagens definidas a cada momento pela ZON Tv Cabo.
Segundo a empresa, no lançamento do myZONcard, a Zon Tv Cabo contratou com a Zon Lusomundo um programa (semelhante a outros existentes no mercado, estabelecidos entre diversos distribuidores cinematográficos e outras empresas), com vista a proporcionar aos portadores do cartão acesso gratuito a até 52 sessões por ano, nas mais de 200 salas de Cinemas ZON Lusomundo.
«A Zon Tv Cabo compromete-se a continuar a apostar no desenvolvimento de vantagens para os portadores do myZONcard, através do lançamento de novas campanhas», salienta o comunicado da empresa.

O produtor Paulo Branco, administrador do grupo de exibição Medeia Filmes, disse esta terça-feira que a suspensão do cartão myZONcard, da Zon TV Cabo, que dá acesso gratuito aos cinemas Lusomundo, é uma «vitória do bom senso».
Paulo Branco reagiu assim à decisão da Autoridade da Concorrência (AdC) de suspender aquele cartão, no seguimento de uma queixa apresentada em Dezembro por um grupo de operadores cinematográficos liderado pela Medeia Filmes, escreve a Lusa.
«Todos estávamos praticamente com a noção de que, se esta operação fosse para a frente, era o fecho de todas as salas não pertencentes à Zon Lusomundo que existiam em Portugal, sobretudo em todas as localidades onde a Zon tem salas de cinema», disse Paulo Branco.
O produtor de cinema sublinhou que esta não é uma guerra pessoal contra a Lusomundo ou contra a Zon, mas uma «acção de sobrevivência» num mercado «que enfrenta dificuldades enormes» e culpou o Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA) pelo actual panorama da exibição cinematográfica.
«Há anos que o ICA não toma nenhuma posição, apesar de ser sistematicamente alertado. É da sua inteira responsabilidade ter-se chegado ao ponto de concentração que existe em Portugal», acusou, referindo que nos últimos sete anos o instituto «excluiu qualquer tipo de apoio às salas independentes, concentrando o seu apoio a festivais».

Segundo os dados mais recentes do ICA, a Lusomundo, enquanto exibidora, teve cerca de 3,1 milhões de euros de receita bruta de bilheteira e 730 mil espectadores só no mês de Novembro de 2008. Só de Janeiro a Novembro de 2008, registaram-se 13,9 milhões de espectadores nas salas de cinema em Portugal, segundo dados do ICA.

Fonte IOL

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